Tocar o que te toca, cantar o que te encanta – A música que fala aos sentidos.
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É certo que a música é totalmente intuitiva. A neurociência reconhece como uma característica humana primitiva, ou seja, instintiva. Não se conhece nenhuma civilização ou agrupamento humano que não possua, de alguma forma, manifestações musicais. Justamente por isso no mundo ‘das artes’ a música é classificada como uma arte de representação.

Eu, enquanto músico e amante da música, defendo que a fala nada mais é que cantar – ainda que de uma forma menos melódica e rítmica – fonemas os quais reconhecemos como língua. Podemos ler em dicionários ou livros técnicos que: “A música também pode ser definida como uma forma de linguagem que se utiliza da voz, instrumentos musicais e outros artifícios, para expressar algo a alguém.”

Assim sendo, utilizando-nos desses fonemas – a menor unidade do som em si, que diferencia-nos as palavras – ‘cantamos’ enquanto nos comunicamos, dando som a essas palavras as quais fazem parte de nosso dicionário. E cada um de nós tem seu próprio timbre, o que chamamos de fonação, e comumente de voz, que nos identifica como únicos, do mesmo modo como um entendedor de guitarras pode diferenciar uma Fender® Strato de uma Les Paul Gibson® sem sequer olhar pra elas, apenas ouvindo seu som.

Acrescente a isso que convivemos com compassos rítmicos todo o tempo, como as batidas de nosso coração, da velocidade de nossos passos enquanto caminhamos e respiramos, do tamborilar de dedos nervosos esperando, ou seja, em infindáveis movimentos do nosso dia a dia, a música está presente em nós mesmos, tanto quanto em nosso meio.

Este vídeo do Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL) da Universidade Federal de Pernambuco, demonstra-nos um pouco isso, ainda que não esteja totalmente dentro do contexto desse post.

Bobby McFerrin é um desses caras que ouvem música em tudo.
E como tal, leva sua platéia a sentir e participar da música como um instrumento vivo, em vários de seus vídeos espalhados pelo YouTube. É muito conhecido por sua enorme extensão vocal – quatro oitavas – e por sua habilidade de usar a voz para criar efeitos diversos além de, claro, pelo clássico “Don’t Worry, Be Happy” de 1988, que se tornou a primeira canção a cappella a alcançar o número um na “Billboard Hot 100″.

Por ter uma incrível facilidade em alternar falsete rapidamente com profundas notas graves, McFerrin pode soar como se fosse dois ou três cantores ao mesmo tempo. Suas performances de solista são inesquecíveis, além de um grande entretenimento.

O vídeo mostra como a voz é praticamente um multi instrumento que, quando bem treinada, é capaz de reproduzir vários sons. mas também demonstra como todos nós temos sonoridade, ritmo e melodia, ainda que não sejamos músicos profissionais como McFerrin.

Voltando à música, enquanto manifestação cultural – e por que não dizer aspiracional – sabemos que ela está, inclusive, inserida nas estratégias de marketing. O mercado publicitário busca identificar o público-alvo de uma marca e escolher artistas que tragam a maior repercussão possível para a estratégia traçada. Mas também na ambientação do PDV sabe-se, por exemplo, que quanto mais tempo o cliente permanece na loja, mais ele acaba comprando. E o tempo que alguém gasta dentro de uma loja depende do quão agradável e confortável é a experiência (UNDERHILL, 2009). Supermercados, como exemplo, utilizam – em sua maioria – trilhas sonoras específicas para horários específicos de compra, seja para acalmar os clientes e mantê-los por mais tempo nos corredores de produtos, ou para excitá-los e fazer com que a compra ocorra mais rapidamente nos horários de pico.

Existem hoje empresas especializadas em criar trilha sonora compatível com o posicionamento da marca e ambiente de loja, bem como com o público alvo. É um novo enfoque do marketing batizado de Music Branding, que se preocupa também com a experiência sonora. A música se faz presente em todas as mídias como uma linguagem de comunicação universal, sendo utilizada como forma de “sensibilizar” para uma causa de terceiro ou, de acordo com a intenção de quem a pretende, para vender um produto, ajudar o próximo, para fins religiosos, para protestar, intensificar um noticiário, etc. (ARAUJO).

Todos os anos as empresas gastam milhões e milhões de dólares na maneira em que suas marcas são visualizadas pelos consumidores. Ultimamente, têm gasto também na maneira como elas soam. Por isso, a aproximação cada vez maior entre empresas e artistas, marcas e músicas. Se ainda existe um campo inexplorado no marketing, esse campo é o marketing sonoro. É como se fosse a última fronteira a ser conhecida, desbravada com o esforço conjunto de músicos, empresários e profissionais do Music Branding. Guto Gerra – Gomus Music Branding

Dificilmente haverá um ótimo filme, sem uma ótima trilha sonora. Ou, uma propaganda que lhe toque os sentidos, sem uma canção que ambiente e ajude a atingir esse objetivo. A música é o meio pelo qual se atinge a alma das pessoas, se transmite ideias, se cria empatia em grupos, se transformam situações, etc. E é uma das primeiras coisas que reconhecemos, instintivamente, como parte de nossa cultura e socialização. E é agora também utilizada como inteligência mercadológica no posicionamento de marcas.

Depois do silêncio, o que mais se aproxima de expressar o inexprimível é a música.” Aldous Huxley

A música oferece às paixões o meio de obter prazer delas.” Friedrich Nietzsche

“A música é o verbo do futuro.” Victor Hugo

Pouco importam as notas na música, o que conta são as sensações produzidas por elas.” Leonid Pervomaisky

 

REFERÊNCIAS:

ARAUJO, Lindomar da Silva. A História da Música. Site InfoEscola. Acessado em: http://www.infoescola.com/musica/historia-da-musica/

UNDERHILL, Paco. Vamos às Compras! :  A Ciência do Consumo nos Mercados Globais. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009.

Written by MarcelGinn®

Não sou chegado de Dalton Trevisan, nem fiz poesia com Leminski, o que não me torna menos vampiro de Curitiba.

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