A Era do Homem de Vidro. O fim da privacidade…
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Texto reformulado, a partir de um post original de 2009, num dos meus primeiros blogs, baseado em um livro que li a 20 anos atrás, “O Controle Total – 666” de Wim Malgo, que falava sobre a então apocalíptica e polêmica marca da besta.

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O conteúdo baseava-se em visões, experiências e crenças pessoais do autor, fundamentando suas próprias interpretações bíblicas e em seu olhar pessoal sobre o mundo, sendo assim passíveis de contestação. Porém o título de um dos capítulos chamou-me muito a atenção. “A Era do Homem de Vidro“. Uma divagação sobre o modo como o autor encarava certas tecnologias presentes já na época e ainda por vir que tornariam, indubitavelmente, o homem num ser transparente incapaz de manter sua privacidade, além do controle total através do numero da ‘besta’.

Saindo da esfera apocalíptica cristã e focando nas soluções digitais de integração de sistemas que nos trazem facilidades, porém muitas vezes afetando nossa privacidade, vejo que muito do que ele escreveu continha certa assertividade.

Já na esfera social notamos a despreocupação da maioria das pessoas em expor toda sua vida nas mídias sociais – como exemplo do Facebook, Twitter ou Tumblr – utilizadas para socialização e inclusive para fins de venda de produtos, compartilhamento de ideais, engajamento de causas e até mesmo como vitrine, de músicos à modelos, de garotas de programa  – e não estou falando de programadoras – à políticos, de padres cantores a pastores palestrantes e até mesmo o papa possui perfil público. Pode-se conhecer muito sobre uma pessoa visitando seus perfis sem a necessidade de conviver ou manter contato direto com ela. A web tornou-se depósito de memória comum, de fácil acesso e larga escala viral, onde um completo desconhecido torna-se celebridade da noite para o dia, enquanto uma celebridade ‘queima o filme’ e é literalmente crucificado pela massa digital.

Era impossível imaginar, anos atrás, que alguém pudesse descobrir uma traição por um programa de computador, como a russa Marina Voinova, que  através do Google Street View  encontrou a imagem do noivo com outra mulher. Hoje sistemas de localização de frotas e veículos tornaram-se tão baratos que não há mais motivos para não usá-los, o Google Maps ou sistemas de GPS similares te mostram como chegar a qualquer lugar, todos os aparelhos de celular são localizados pelo sistema das operadoras e sabemos de programas espiões – como o SpyToMobile que permite ler mensagens, ter acesso a agenda, a ligações feitas e recebidas, inclusive ouvir o áudio do ambiente onde o celular espionado está e ter acesso a câmera sem que  seu dono sequer perceba. A nova identidade caminha para um só documento eletrônico com todas as suas informações, além de sermos vigiados 24h por câmeras pelas ruas, orgãos públicos, bancos, condomínios, câmeras – cada vez mais potentes – em celulares e gadgets… Um Big Brother a nível mundial.

Já se sabe, por exemplo, que na Inglaterra há mais de 4 milhões de câmeras de vigilância instaladas, o que representaria uma câmera para cada 14 habitantes. Em Londres, é altíssima a probabilidade de ser filmado mais de 300 vezes por dia. Diante disso, organizações de direitos civis como a “Liberty” estão preocupadas porque essa tecnologia oferece cada vez mais facilidades para o governo “vigiar cada passo do cidadão”. De outro lado os bancos de dados que se formam sobre cada um de nós a cada vez em que ingressamos em uma nova mídia, fazemos um cadastro e compramos em uma loja on-line, fornecemos nossos dados para sites de pesquisa de opinião, usamos o cartão de crédito, etc, etc…

Os BigDatas já são realidade cada vez mais acessíveis para as empresas e a IBM – uma das marcas mais envolvidas no processo e, segundo a visão primordial de Kubrick em “2001 – Uma Odisseia no Espaço” responsável por criar a inteligência artificial que tentaria destruir a raça humana – busca cada dia mais e mais respostas e soluções simples para popularizar e desmistificar seu uso. De certo ponto de vista esse fim da privacidade como a conhecemos seria benéfica, principalmente quando se trata de segurança, porém muito daquilo que prezamos como confidencial circula livremente em bancos de dados e, tudo aquilo que consideramos de teor íntimo pode ser compartilhado por terceiros em app‘s, mídias sociais, estampado na manhã seguinte em um jornal ou como uma postagem popular em um blog.

Vimos muito disso durante o processo de popularização da web e, a pobre da ‘garota do ok‘ não será a última. Todos os dias aparecem novas vítimas de ex namorados idiotas, que têm suas fotos íntimas compartilhadas pelos Whatsapp‘s da vida. Em 2012, o ocorrido com fotos íntimas da atriz Carolina Dieckmann que vazaram na internet, gerou uma lei que foi criada no país com o nome da artista. Porém esta lei não protege casos em que não há invasão de computadores. Não há leis brasileiras específicas para o meio digital e cabe a cada um cuidar daquilo que é primordial para si, enquanto informação confidencial e privacidade pessoal.

Já não é tão difícil responder a pergunta feita pela banda Capital Inicial: “O que você faz quando ninguém te vê fazendo?“. Basta ser um pouco relapso com fotos e vídeos que você faz com seu celular, não atentar para as câmeras de segurança à sua volta ou o vizinho com um celular potente em mãos. Bem vindo ao nosso Admirável Mundo Novo!

Written by MarcelGinn®

Não sou chegado de Dalton Trevisan, nem fiz poesia com Leminski, o que não me torna menos vampiro de Curitiba.

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